Blog

Artigos Técnicos

Resgatando a história da varíola

O temor do mundo por infecções causadas por vírus semelhantes ao da varíola. O assunto em voga é o ressurgimento da Varíola pós Covid-19.

Ler mais »
Alimentação Saudável

Como o nosso corpo interage com a suplementação?

Nosso corpo tem sabedoria própria e consegue adquirir tudo o que necessita a partir de uma nutrição adequada, balanceada, viva e rica em vitaminas, fibras e minerais. Sempre existe uma alimentação apropriada para cada objetivo na vida, promovendo um atuar na terra mais consciente e, portanto, mais assertivo frente aos nossos anseios e necessidades.  Em função de carências a partir de doenças, restrições, condição de subnutrição, atividade física intensa ou de alto rendimento, e para complementar valores nutricionais em determinadas fases de vida adulta, como gestação, senescência, adolescência e primeira infância, podemos necessitar de suplementação para adequar o fornecimento das substâncias que o corpo necessita na medida correta. Como é o processo de suplementação e o que são os suplementos? “Suplementos alimentares” é o termo correto quando falamos em “suplementos”. Eles são compostos por macronutrientes, como carboidratos, proteínas e lipídeos, e micronutrientes compostos por vitaminas, minerais, fibras solúveis e insolúveis, enzimas* e cepas probióticas. *A saber: as enzimas são proteínas específicas que regulam o metabolismo pela velocidade das reações físico-químicas e as cepas probióticas compõem nossa microbiota.  O processo de suplementação precisa ter começo, meio e fim, salvo em casos de carência crônica de causa patológica, necessitando de suplementação vitalícia para sustentar os processos metabólicos. Os bons hábitos alimentares, a partir da variabilidade de cereais integrais, frutas, legumes, verduras e proteínas animais ou vegetais, NÃO devem ser substituídos por shakes vitamínicos, como nos casos de dietas da moda, o que pode acarretar uma importante debilidade metabólica.  As suplementações, na maioria das vezes, podem ser ingeridas próximo a alguma refeição para entrar em sinergia com o restante dos alimentos. Já outras vitaminas, aminoácidos e minerais, devem ser suplementados longe de refeições ricas em macronutrientes (carboidratos, proteínas e lipídios) para terem melhor biodisponibilidade.* Cada tipo de suplementação requer orientação específica de um prescritor habilitado: consulte SEMPRE um nutricionista para as orientações e adequações corretas. O nutricionista é o profissional com habilitação e o mais adequado para “navegar” no mundo das suplementações.  É necessário ter uma prescrição? SIM! A prescrição correta é fundamental para a segurança de doses adequadas e considera uma série de variáveis, como condição clínica, fase de vida, contraindicações, como hipersensibilidade, objetivos e necessidade do paciente. A escolha do tipo de suplementação, doses e tempo de uso estão pautados em uma anamnese, feita junto ao paciente que contempla história pregressa, alergias, hábitos alimentares, estilo de vida, tipo de trabalho que exerce, exames laboratoriais, sinais e sintomas, entre outras questões que o indivíduo apresenta.  A “autossuplementação” sem a correta orientação pode trazer complicações. Por exemplo, a ingestão inadequada de uma “simples” vitamina D, que é facilmente encontrada nas prateleiras das lojas de suplementos e farmácias, poderá promover processos de esclerose, ou seja, de endurecimento em partes moles do organismo, como é o caso do “endurecimento” de artérias e veias. A Vitamina D, cuja função mais conhecida é a mineralização óssea, é considerada um hormônio, tamanha sua relação com a saúde metabólica. Portanto, repito: consulte SEMPRE um especialista habilitado para iniciar qualquer tratamento. Fórmulas manipuladas ou suplementos prontos? DEPENDE! Para atender especificamente a necessidade do indivíduo, fórmulas manipuladas são verdadeiras preciosidades, no entanto, dependendo do diagnóstico ou condição que o paciente apresenta, podemos encontrar pools de suplementos alimentares de boa procedência e com produção em quantidades adequadas.   Leia também: Conversa com a Renata S. Eisenmann: A nutrição e as doenças crônicas É preciso fazer exames para definir uma suplementação?  É recomendável fazer exames antes de iniciar qualquer tratamento, porém em alguns casos, uma avaliação de sinais e sintomas associados ao recordatório alimentar em indivíduos saudáveis pode ser suficiente para iniciar algum tipo de suplementação para complementar as necessidades diárias.   Frente a qualquer diagnóstico médico de patologia ou relato de queixas do paciente indicando sinais e sintomas claros, é importante que se tenha um panorama bioquímico para iniciar uma abordagem alimentar ou fitoterápica, assim como medicamentosa.  Mas lembre-se, suplementação alimentar tem começo, meio e fim, salvo algumas situações de carência crônica diagnosticada. De nada adiantará usar suplementação alimentar se não houver mudanças de hábitos para corrigir a verdadeira causa do problema. Começar por mudanças de hábitos nutricionais é a forma mais inteligente e segura!  O que é biodisponibilidade em Nutrição? É a capacidade do organismo de absorver e aproveitar as substâncias dos alimentos que ingerimos, ou seja, realizar a biotransformação. Podemos ajudar a melhorar a biodisponibilidade de micro e  macronutrientes ao preparamos as refeições Um exemplo: o clássico complexo ferro vs. cálcio. Quando idealizamos uma refeição rica em ferro, algumas combinações podem fazer com que a biodisponibilidade do ferro que tanto queremos fornecer ao organismo seja muito prejudicada. Preparações que levam carne, naturalmente rica nesse elemento químico e leite ou derivado do leite rico em cálcio, tem essa característica: quando esses dois elementos estão juntos numa mesma refeição, fazem com que o cálcio, por competição, “ganhe” na biodisponibilidade em detrimento ao ferro.  Duas preparações muito apreciadas por nós, strogonoff e filet à parmegiana, infelizmente, são exemplos dessa má combinação nutricional. Outro exemplo clássico é o creme de espinafre: o ferro contido no espinafre não consegue ser aproveitado pelo organismo em função do cálcio presente no leite ou creme de leite que impede que o ferro seja biodisponibilizado. Saber com antecedência quais alimentos vão entrar na geladeira da semana é um bom primeiro passo para organizar um cardápio sem gafes nutricionais. 🙂 Uma alimentação equilibrada é fundamental para a saúde As cores da natureza sempre falaram por si, tanto no mundo animal quanto no vegetal, e na nutrição não é diferente. Quando preparamos uma refeição trazemos através das cores dos alimentos nutrientes bem específicos.  É o caso, por exemplo, de verduras escuras, mais ricas em ferro, as frutas roxas carregadas de substâncias fotoquímicas ou fitosteróis de grande importância anti-inflamatória.   Fique atento à sazonalidade, assim é possível fazer escolhas variando os alimentos que a época oferece, com melhor qualidade e sabor, mais economia e menos agrotóxicos.  Leia também: Confira o guia completo de frutas da época

Ler mais »
Alimentação Saudável

Da gestação ao aleitamento materno: como repensar hábitos?

A preparação para a chegada do novo membro da família é tão ou mais importante que o próprio nascimento. Hábitos do casal de toda ordem devem ser repensados, vamos nos ater a dois deles referentes à Nutrição, o ambiente e a alimentação.   Um ambiente que deve ser tranquilo, harmonioso, ter sua beleza própria e ritmo. Por mais agitados que sua cidade ou bairro sejam, dentro do lar é possível a construção de um ambiente seguro e harmonioso. Arejar a casa, mantê-la limpa e em ordem promove a funcionalidade de tudo o que há nela, nos dá o “ar” de tranquilidade, e o ritmo particular da casa começa a nascer e ser constituído. Conversas e discussões permeadas por respeito fazem parte, assim como determinados estilos de música que trazem leveza e aconchego ao ambiente.  O quanto antes da concepção a alimentação do casal for repensada e adequada, melhor! Pense na qualidade celular e metabólica desse corpo feminino que gestará por nove meses um novo ser. E não só da mãe devemos cuidar, mas também do pai em relação à qualidade dos espermatozoides. Eles farão um verdadeiro rally no corpo da mulher em busca do grande prêmio de ser o melhor para a fecundação do óvulo! Alimentos frescos, livres de substâncias químicas, ricos em nutrientes como zinco, selênio, magnésio e fósforo não podem faltar na alimentação do candidato à pai.  Mesmo que a chegada do bebê seja uma surpresa, sempre será a hora de trazer todos esses elementos para a prática do novo dia a dia ^.^ Ao nascer o aleitamento materno exclusivo é a alimentação mais apropriada, natural e benéfica para o bebê. O leite produzido pela mulher, seja na condição de mãe ou ama de leite, pode ser doado a bancos de leite, destinados às crianças, que por algum motivo, não tenham a oportunidade de serem amamentadas assim que nascem.  Repensar o que vai à mesa Vamos ampliar o conceito da boa Alimentação para a boa Nutrição: uma boa alimentação pode ser sinônimo da presença de cereais integrais, frutas, verduras e legumes frescos, sempre variados na mesa do dia a dia. Uma boa nutrição também pode ser entendida como a ausência de alimentos e hábitos que intoxicam e dificultam processos metabólicos. Uso de tabaco, bebidas alcoólicas, consumo de produtos industrializados e a prática do fast food podem ter um peso muito grande no desenvolvimento do bebê e até ser determinante para o surgimento de algumas doenças.  Hábitos saudáveis não são privilégios apenas para as candidatas a serem mães, mas também para os futuros pais. Boas noites de sono, descansar, contemplar, fazer uma atividade física compatível com sua condição, hidratação adequada e ter algo como um hobby, podem ser determinantes positivos para o desenvolvimento saudável da nova família.  Leia mais: Alimentação infantil: Renata S. Eisenmann fala sobre o impacto na construção do ser O que comer e o que não comer? A gestante necessitará de energia e nutrientes extra durante a gestação, pois carregará ao menos um bebê. Não falo em comer “por dois”, mas em melhorar a qualidade da alimentação e disponibilizar o necessário para essa condição tão especial. Frutas, verduras, legumes e fibras devem estar no cardápio, assim como grãos integrais, carnes magras e ovos.  Alimentos muito gordurosos, ricos em calorias vazias (sem fibras) e pobres em nutrientes devem ser evitados. Ingerir esse tipo de alimento pode levar a gestante e o bebê ao nascer, a condições patológicas momentâneas ou que poderão ser gatilhos para o desenvolvimento e consolidação de doenças e síndromes na vida adulta.  O corpo da mulher, aleitamento e puerpério A mulher já percebe mudanças na mama a partir da 9ª semana de gestação. As mamas e os mamilos podem ficar mais sensíveis e muitas mulheres sentem dor até o parto. Porém, para a maioria delas, esse desconforto desaparece a partir do terceiro trimestre de gravidez. O que acontece no corpo da mulher durante o aleitamento materno? Essa é uma pergunta que todas as gestantes fazem principalmente as que esperam seu primeiro filho. Uma palavra diferente: puerpério. Afinal, o que é?  Logo após o nascimento da criança, a mulher passa ainda por muitas transformações. O puerpério é o período que decorre desde o parto até que os órgãos genitais e o estado geral da mulher voltem às condições anteriores à gestação. É um momento em que o corpo passa por modificações físicas, hormonais e emocionais.  Durante essa fase, as emoções ficam à flor da pele, a fadiga e a vontade de chorar aumentam. Por isso, é fundamental o acolhimento de todos que estão a volta da nova mãe, seu parceiro(a) e parentes e amigos mais próximos, como uma rede de apoio. Esse é o momento para se fazer valer de toda a preparação e construção de uma atmosfera harmoniosa, saudável e segura de antes e durante a gestação. Hábitos alimentares bons e ruins Durante o aleitamento materno, hidratação adequada e as melhorias que foram feitas na alimentação na fase pré e gestacional, devem ser mantidas, isso ajudará na produção do leite e na manutenção da sua qualidade.  Que alimentos a mãe precisa evitar? Alimentos fermentativos como, carboidratos simples, doces, açúcares de adição, leguminosas sem processo de remolho, bebidas estimulantes como café e chá verde, chocolate e alta quantidade de fibras. Tudo isso compromete a qualidade do leite materno e o bem-estar do bebê. Frituras, embutidos, como presunto e salsicha, ultraprocessados, enlatados, refrigerantes e alimentos industrializados e com alto teor de gordura e baixo valor nutricional devem ficar SEMPRE distantes! Sempre mesmo. Leia mais: 3 receitas saudáveis indicadas por Renata S. Eisenmann Educação da vontade A educação da vontade faz parte do desenvolvimento humano, ela se faz presente pela tomada de consciência responsável sobre todos os assuntos que se relacionam com nossa expressão terrena. Na escolha da alimentação e melhoria dos hábitos, a educação da vontade é amplamente exercitada, seja pela restrição de determinados produtos alimentícios ou pela inclusão de outros alimentos e formas de cocção benéficas para o momento.  Produtos alimentícios, popularmente conhecidos como produtos

Ler mais »
Bem-Estar

Pedagogia Waldorf e a nutrição adequada

A pedagogia Waldorf tem um olhar antropológico e caráter terapêutico sobre o pensar próprio, integrado e consciente dos direitos e deveres do individuo, promovendo uma geração mais fraterna. Os princípios são trabalhados segundo o conceito evolutivo dos setênios (a cada sete anos), trazendo a saúde em primeiro lugar. Quando as características de cada setênio são desenvolvidas e vivenciadas de forma adequada, o indivíduo elabora habilidades que serão ferramentas para uma vida adulta regular. É um movimento espiralado baseado em acontecimentos anteriores, portanto quanto mais regular o setênio for, melhores serão as chances de enfrentar os próximos desafios com sucesso, e assim sucessivamente. Crianças de primeiro setênio aprendem por imitação de pais, professores e de todos que convivem com ela. É nesse período tão fértil que a moralidade é fundamentada. E qual o papel dos professores dentro da pedagogia Waldorf Importantíssimo! O professor Waldorf “ilumina” seu aluno, seja com seus ensinamentos ou sua postura frente à vida. Ele precisa constantemente elaborar a educação da vontade, para que a criança sinta a coerência e verdade entre aquilo que é trazido como fala e suas vivências. Em relação à alimentação, todo professor deveria rever suas condutas e escolhas alimentares, uma vez que a alimentação pode abrir ou fechar portas, já que o professor é o exemplo em que as crianças se espelham. A criança precisa de ritmo e o professor é quem traz a vivência rítmica para seus alunos. Sabe aquele professor que ensinava de uma forma tão divertida que a aula passava rápido e você nem percebia o quanto tinha aprendido enquanto ria? Com certeza alguém especial vem à mente. Quem sabe trazer o aluno para a concentração máxima e depois descontrair, criando um ambiente agradável, propício para o desenvolvimento e com conteúdos que permeiam a alma, faz toda a diferença no processo de aprendizagem saudável. Essa vivência rítmica tão importante também está presente na pedagogia Waldorf através das atividades intelectuais e manuais, das festas e ciclos pedagógicos e da forma em que a escola é estruturada no seu dia a dia. Cada coisa tem seu tempo de acontecer e de ser revisitado. Tudo é carregado de significado e nada é ao acaso. Pedagogia e alimentação são coisas sérias! “Era em tempos antigos, Em que vivia vigoroso nas almas dos iniciados O pensamento, que doente por natureza Todo ser humano é. E a educação era considerada Igual ao processo de cura, Que a criança junto com o amadurecer Trazia a saúde Para tornar-se um ser humano perfeito na vida.” A relação família/escola e a alimentação Nas diversas escolas Waldorf, criam-se sistemas de compartilhamento de lanches entre os alunos: por exemplo, cada dia é a vez de um aluno trazer o lanche da classe inteira, sendo assim o lanche é feito pelas famílias com orientação da escola, coerente e adequado à realidade da comunidade. Isso reforça a alimentação saudável como aprendizado, a vivência do compartilhamento fraterno, o senso do coletivo e da humanidade como um único organismo. A alimentação praticada na escola pelas crianças merece um olhar atencioso e quando necessário, uma orientação mais específica da nutricionista, uma vez que através da alimentação alguns ajustes podem ser feitos, principalmente quando é percebido questões de comportamento ou dificuldade no processo de aprendizado em sala de aula.  Não foi à toa que Steiner ofereceu a nós como imagem trimembrada, a constituição humana em correspondência com o mundo vegetal com suas qualidades tão necessárias para plasmar o nosso organismo. Essas correspondências são: SNS (sistema neurosensorial) com alimentos que se desenvolvem debaixo da terra: como as raízes; SR (sistema rítmico) com os caules e folhas; SMM (sistema metabólico motor) com o polo floral dos vegetais: como flores, frutos e os cereais. São elementos que precisam estar presentes no dia a dia alimentar das crianças e que facilmente podem ser identificados. Nutrientes são fundamentais nessa fase de vida, favorecendo o processo de crescimento, aprendizado dos conteúdos oferecidos à criança e ao desenvolvimento adequado dos doze sentidos. Cereais integrais, fonte de silícia, importante para o desenvolvimento cerebral, além de sua riqueza energética acompanhada de fibras para o bom funcionamento e manutenção do intestino. Frutas precisam estar presentes no período da manhã, ricas em micronutrientes, são o “bom dia” para os corpinhos em crescimento. A alimentação adequada não é somente o equilíbrio entre os macronutrientes (carboidratos, proteínas, gorduras e fibras alimentares) e micronutrientes (vitaminas e sais minerais), mas também sobretudo, sua origem, como esse alimento é preparado e sua variabilidade ditada ritmicamente pela sazonalidade e regionalidade, sem a presença de substâncias químicas como pesticidas, herbicidas e adubos quimicamente preparados. Excessos de carboidratos como pães de farinhas brancas, açúcares de adição ou produtos alimentícios oferecidos no café da manhã para as crianças, vão na contramão do aprendizado. Somos responsáveis pelo nosso alimento e de nossas crianças, faz parte do processo de desenvolvimento da consciência e da autoeducação. Praticamos primeiro conosco para que a criança cresça aprendendo a se alimentar fazendo boas escolhas, de forma consciente e com responsabilidade social, garantindo que as futuras gerações sejam mais saudáveis. Hoje estamos vivendo um verdadeiro resgate na relação alimento / homem. Para que se consiga ter um sono reparador, ânimo durante o dia, possiblidade real de aprendizado e memorização, é bom rever sua alimentação, ela é a chave para que nosso organismo tenha condições de viabilizar todos esses processos, sejam eles meramente orgânicos ou na mais ampla visão da constituição do ser. Lembre-se, alimento é coisa séria. Leia também: Alimentação infantil: Renata S. Eisenmann fala sobre o impacto na construção do ser

Ler mais »
Alimentação Saudável

3 receitas saudáveis indicadas por Renata S. Eisenmann

Manter uma alimentação balanceada é fundamental para ter uma vida coerente e equilibrada. Escolher receitas saudáveis, que ofereçam todas as vitaminas e nutrientes necessários para cada refeição faz toda a diferença e pode ser uma aventura de grandes descobertas na cozinha! Separei sugestões de receitas interessantes de acordo com cada momento do dia. Lembrando que é importante ter ingredientes de boa qualidade. Atente-se para fazer as devidas adequações nas receitas caso tenha alguma patologia com restrições alimentares ou alergias, tudo bem? Receitas para o café da manhã Cada refeição precisa ser feita adequadamente, então nada de pular o café da manhã – ele é essencial pois é o primeiro “combustível” que fornecemos ao nosso corpo, determinando como será o nível de energia e comportamentos alimentares do dia todo. Muitas pessoas optam pelo mais prático, mas quase nunca é a melhor escolha. O famoso pão na chapa com manteiga e o leite com achocolatado, deixará seu corpo e raciocínio leeennntooo..! Pode até ter aquela energia no início, mas até o final da manhã, ela vai indo embora, deixando uma sensação de fome, cansaço, sonolência, além dos riscos que essa prática contínua pode trazer. Por onde começar a planejar o café da manhã?! É importante que a primeira refeição do dia tenha todos os macronutrientes: carboidratos, proteínas, gorduras, fibras e vitaminas. Por isso é essencial incluir opções frescas, vivas e naturais trazendo vitalidade! Minha primeira sugestão dessa seleção de receitas saudáveis é o müsli, mas nada daqueles prontos de caixinha, ok? Müsli Essa é uma receita criada pelo médico Maximilian Bircher-Benner há mais de 100 anos! Ingredientes: 1 pote de iogurte natural (170 g) ½ xícara (chá) de leite 1 colher (sopa) de mel mais 2 colheres (chá) para finalizar 1 colher (sopa) de sementes de linhaça dourada ¼ de xícara (chá) de aveia 1 maçã tipo fuji caldo de ½ limão 1 colher (sopa) de nozes tostadas e picadas 1 colher (sopa) de uvas-passas brancas Modo de preparo: Em uma tigela, coloque o iogurte, o leite, a aveia, a linhaça e o mel. Misture e tampe (ou cubra com filme). Deixe na geladeira por 12 horas. Na manhã seguinte, lave, seque e corte a maçã ao meio, no sentido do comprimento. Corte cada metade em dois. Retire as sementes e rale os pedaços de maçã sobre uma tigela, utilizando a casca como proteção para os dedos. Adicione e misture o caldo de limão. Junte o müsli mexa bem. Salpique as nozes e as uvas passas, finalize com mel e sirva a seguir. Por que o müsli para a 1ª refeição do dia? Ah, essa resposta é simples! Ele tem todos os macronutrientes contidos em seus ingredientes, é uma refeição completa, muito gostosa e que traz saciedade. Tudo o que o corpo precisa para enfrentar um dia cheio de desafios. Outra sugestão são as overnight oats (no bom e velho português, aveia adormecida). Há muitas possibilidades para explorar as receitas de aveia adormecida, sempre fáceis de preparar e que podem ser um ótimo lanche da tarde. Você pode prepará-las com antecedência para o dia seguinte. Uma sugestão: aveia, manga, coco, água e chia. Coloque tudo em um recipiente e leve a geladeira por no mínimo 6 horas – pode deixar a noite toda. No dia seguinte estará pronta, com a consistência de pudim e um sabor delicioso. Leia também: Guia completo de frutas da época Vamos para o almoço? Farei uma proposta, que tal um dia sem carne? A proteína animal é uma substância que nos dá muita força de ação, e consumi-la todos os dias pode promover desequilíbrios em nossa atuação aqui na terra, afinal tudo é uma questão de equilíbrio, harmonia e coerência. Além do mais, consumir carnes todos dias exige que o processo de digestão seja adequado começando pela boa mastigação porque afinal de contas, estômago não tem dentes…… A digestão das carnes exige também um metabolismo que esteja plenamente saudável, produzindo enzimas suficientes para que, ao chegar no intestino humano, não cause um desequilíbrio nas bactérias residentes, do contrário teremos um ambiente toxico e pouco saudável. Uma boa sugestão é um hambúrguer de falafel da Chef Andrea Henrique. Hambúrguer de falafel Ingredientes: 100 gramas de grão-de-bico 50 gramas de cebola (meia cebola) 1 colher de chá de alho picado 2 colheres de sopa de azeite extravirgem ou óleo de coco 1 colher de farinha de glúten ou amido de milho para dar liga 1 colher de chá de coentro picado 1 colher de café de pimenta síria 1 colher de café de cominho Sal do Himalaia ou marinho Modo de preparo: Para o hambúrguer: Coloque o grão-de-bico para hidratar por 8 horas em 300 ml de água. Depois de tratado, escorra a água do grão-de-bico (despreze essa água), depois lave bem os grãos em uma água corrente. Leve ao processador por alguns minutos até triturar bastante os grãos e fazer uma massa. Retire do processador e leve-a para uma tigela. Adicione a farinha sem glúten e o azeite, depois sove com as mãos. Acrescente o restante dos ingredientes e volte a misturar com as mãos. Faça bolas de 150 gramas e depois amasse – use uma frigideira antiaderente para grelhar o hambúrguer dos 2 lados em fogo baixo. Retire da frigideira, coloque a salada em cima e sirva. Lanche da tarde Não passe o dia todo sem se alimentar, jejum desnecessário pode levar a informação errada para o cérebro, algo como: “não tem comida e preciso armazenar!”, então aproveite e faça boas escolhas para esse momento. “Repetecas” convencionais de café da manhã, processados como bolachas recheadas, bolos ou salgados não são interessantes. Lanches servem para fracionar o total de alimentos que te cabe no dia e oportunidade para inserir alimentos que tenham riqueza de nutrientes, vitaminas e fibras.   Opte por pequenas porções de receitas saudáveis que incluam frutas, castanhas ou petiscos com legumes, como uma pasta à base de inhame com peixe ou homus com pepino. Leia também: Checklist básico para uma alimentação saudável Jantar, um

Ler mais »
Bem-Estar

Agricultura biodinâmica: o que é?

O alimento percorre um longo caminho até chegar ao nosso prato. Você já parou para pensar nisso? Há diversas técnicas de cultivo de frutas, legumes e verduras, como a agricultura biodinâmica, e é importante ficar atento em relação à origem e qualidade do que comemos. O alimento é nossa fonte de energia e substrato que nutre nosso corpo. Nos alimentos encontramos forças plasmadoras que mantém nossa estrutura física, iluminam nossa alma e inundam nosso organismo de vitalidade. Assim podemos elaborar nossa vontade de atuação de forma mais equilibrada: pensamos e falamos com mais clareza, conseguimos verdadeiramente ouvir o outro e acolher as diferenças com compaixão. Hoje trago um pouco sobre a agricultura biodinâmica e como ela pode trazer benefícios e qualidade de vida. Vamos começar entendendo o que significa agricultura biodinâmica Essa técnica de cultivo foi fundamentada por Rudolf Steiner, em uma série de palestras que realizou na época de Pentecostes, em 1924. Ela segue um ciclo dinâmico, orientado pelo  equilíbrio entre a função social e o respeito pela natureza, criando e preservando o ecossistema. Em uma fazenda biodinâmica, podemos ver os animais, terra, água e o ser humano em harmonia. Os agricultores têm um cuidado especial na tratativa do solo, resgatando a conexão do  homem com a natureza e seu ritmo, algo que foi sendo esquecido ao longo do tempo, mas que é fundamental no auxílio para o desenvolvimento da consciência e coerência via alimentação. Afinal fazemos parte do ciclo da natureza, pois voltamos a ser substrato para o solo quando morremos e atualizamos à terra animicamente com nossas vivências e fisicamente com nossos corpos. Portanto, o que consumimos ao longo de toda a vida pode revitalizar ou deteriorar nossa terra. Sem uso de agrodefensivos, agrotóxicos ou fertilizantes artificiais A agricultura biodinâmica é limpa e permite que as plantas se desenvolvam e criem suas próprias defesas, com um ciclo natural. Quando a planta cresce num ambiente favorável ao seu desenvolvimento, incluindo suas próprias defesas, resulta em um alimento mais potente, cheio de força e vitalidade. Ao usar agrotóxicos e fertilizantes químicos, não só impedem que a natureza siga o seu curso, mas também eliminem insetos que fazem parte das polinizações e manutenção de um ecossistema delicado e importante para todos nós. Alimentos empobrecidos de nutrientes pelo rápido crescimento e a falta de vitalidade, leva a uma alimentação igualmente pobre e desvitalizada. Isso gera um impacto na saúde das pessoas, levando ao surgimento de diversas doenças, sejam crônicas, autoimunes e até câncer. Quais os princípios dessa agricultura? A agricultura biodinâmica é ressonante com a natureza, respeitando o solo e mantendo-o saudável. Essa técnica agrega valores espirituais e conscientes à produção de alimentos. Considera as leis da natureza e preserva de forma inteligente e sustentável um ecossistema em torno da produção. As soluções propostas pela agricultura biodinâmica, para todo o tipo de questões e problemas, são originadas da própria natureza, através do seu estudo e observação, por exemplo, se cultivamos uma determinada planta que necessita de 50% de sombra. Seria interessante plantar árvores maiores e com raízes profundas entre as plantas do cultivo, assim proveriam sombra à produção. Outro exemplo é cultivar outras plantas que tem ressonância com a produção e servem de proteção contra pragas, e cobertura e manutenção da umidade para o solo. Leia também: Nutrição e a consciência espiritual para uma vida saudável Em uma produção de agricultura biodinâmica tudo é aproveitado e tem o seu valor. Os subprodutos são tratados e postos à serviço da produção novamente, realimentando o ciclo de produção. Isso ajuda a manter a revitalização e regulação do solo. Existem alguns preparados naturais que agem como “repelentes” de pragas, e outros que fortalecem a planta, não como os fertilizantes químicos que as fazem crescer abruptamente. Mas como elementos que ajudam a nutrir a sua vitalidade, ajudando no desenvolvimento das suas defesas naturais. A técnica ainda contribui para o aumento de ilhas de produção sustentáveis, ampliando a atuação de agriculturas familiares dentro do cinturão verde das cidades. Ciclo de plantio na agricultura biodinâmica Maria Thun, uma agricultora alemã que seguia os ensinamentos de Steiner, estudou por anos a influência dos astros no plantio e em todo o ecossistema ao redor. O resultado do seu trabalho foi um calendário biodinâmico orientado pela astronomia (técnica milenar, conforme o movimento da lua e dos planetas segundo as constelações do Zodíaco) e pela ciência espiritual. Como identificar um alimento biodinâmico? Atualmente, a agricultura biodinâmica está presente em mais de 40 países. E a certificação que identifica esse tipo de produção no Brasil é o Selo Deméter. É possível encontrá-los em algumas feiras orgânicas e redes de supermercados. Vamos conversar mais sobre esse assunto? Entre em contato comigo!

Ler mais »
Bem-Estar

Doença de Crohn e o tratamento com a nutrição antroposófica

Na nutrição antroposófica, compreendemos a patologia como uma manifestação da desarmonia do corpo e da mente. Quando uma pessoa é acometida por uma doença, aspectos do seu mundo interior, biografia e hábitos de vida, precisam ser olhados com atenção e acolhimento. A doença de Crohn, autoimune, inflamatória e crônica, não é diferente. Ela foi descoberta pelo famoso gastroenterologista inglês, Dr. Burrill Crohn, que a identificou como uma doença moderna, proveniente dos hábitos de higiene exagerados que a sociedade adquiriu ao longo dos anos. Este artigo explica um pouco mais sobre a doença de Crohn, patologia que acompanho de perto, afinal minha filha convive com ela há muitos anos. Doença de Crohn x Retocolite Ulcerativa: saiba a diferença A doença de Crohn e a Retocolite Ulcerativa costumam ser de difícil diagnóstico e são muito confundidas pelos pacientes pela semelhança dos sintomas. Ambas fazem com que todo o corpo sofra com a inflamação (uma reação exacerbada do próprio organismo), provocando até dores nas articulações e possuem diferentes graus de intensidade de acordo com cada caso. O Crohn pode se manifestar da boca até o ânus, acometendo pontos distintos do sistema digestório, principalmente no intestino grosso (cólon). Já a Retocolite geralmente atinge a região do reto, cólon sigmoide e descendente, e a inflamação é limitada a uma determinada região. É importante entender que cada parte do intestino tem as suas características e funções distintas. Quando uma delas é afetada, pode desencadear sérias consequências para o restante do organismo. Como a doença pode se desenvolver? A doença de Crohn pode ser desencadeada por uma série de fatores, variando de uma pessoa para a outra, como pré-disposição genética, hábitos alimentares ruins, desequilíbrios emocionais ou estresse intenso, descompensação do sistema imunológico e até fatores ambientais. As crises podem ser pioradas por conta da má alimentação, carregada de produtos industrializados com conservantes, corantes, flavorizantes, condimentos, açúcares e gorduras em excesso. Esses produtos alimentícios são altamente inflamatórios e extremamente agressivos para o indivíduo, especialmente para aqueles que possuem alguma DII. Quais são os sintomas? Entre os sintomas mais comuns, estão: fraqueza, desanimo, febre, dor nas articulações, cólicas intensas, diarreia, sangue nas fezes, muitas vezes levando a quadros de anemia severa, dificuldade na absorção de nutrientes, e dependendo da gravidade, outras complicações, como fístulas. Pense assim: cada vez que nosso intestino é atingido por um agente agressor, ele acaba ferido, inflamado, adoecido e vai perdendo a sua função primordial, que é a absorção de nutrientes e a excreção de substâncias que não servem mais para o corpo. O resultado é um organismo sistemicamente comprometido – nesse caso a febre pode estar presente, mostrando que algo não vai bem (inclusive sinal de uma possível infecção). Com o passar do tempo, se esse intestino não for tratado, além de perder sua  função de absorção, há a cronificação  da inflamação, aumentando a incidência de pólipos e o risco de desenvolvimento de câncer. Conheça mais sobre o diagnóstico O diagnóstico da doença de Crohn costuma ser feito por um gastroenterologista, que avalia a condição clínica do paciente e seus exames, como a colonoscopia e a endoscopia. São procedimentos que necessitam de preparo hospitalar para garantir a segurança do paciente, especialmente quando o intestino está muito fragilizado. Alguns exames complementares também podem ser realizados, como tomografia, ressonância magnética, endoscopia por cápsula, enteroscopia, cultura de fezes, exames de sangue, como hemograma, controle de ferro e vitamina D, marcadores inflamatórios, entre outros. Muitas pessoas podem ter a doença e ignoram os sintomas por serem “constrangedores” ou por acharem que é uma simples dor de barriga. Falar sobre a saúde intestinal e seus sinais ainda é uma dificuldade para muitos, afinal, ninguém sai falando que encontrou sangue nas fezes, que tem problemas com gases, que faz uma bagunça danada quando vai ao banheiro, ou que está com diarreia há um mês, não é mesmo? *Precisamos falar sobre as nossas FEZES. E para isso, precisamos olhar para elas! #ficaadica* Leia também: Alimentos inflamatórios: tudo o que você precisa saber Como cuidar da Doença de Crohn? Quando a doença de Crohn é diagnosticada, o tratamento medicamentoso para o seu controle é prescrito pelo gastroenterologista e pode variar de acordo com o grau de severidade. No período de crise costuma ser prescrito o uso de corticoides, enquanto em outras situações é indicado um anti-inflamatório local, imunomoduladores, antibióticos e aminossalicilatos. Além do tratamento medicamentoso, é fundamental procurar orientação de um nutricionista, pois a doença de Crohn está diretamente relacionada com a alimentação do paciente, sendo que os principais agressores do intestino são provenientes da ingestão alimentar. O paciente de DII precisa ser cuidado de forma integral, abrangendo todos os aspectos que possam ser agentes agressores e gatilhos para crises. Trabalhos terapêuticos e artístico terapêuticos,  acompanhamento psicológico, participação em grupos de apoio e a realização de atividade física adequada são cruciais para o processo de acolhimento da doença e da condição diferenciada do paciente, que pode trazer desconfortos em situações sociais comuns, tristezas, anseios e angústias. Trabalhar o emocional faz parte do tratamento, portanto o convívio com a doença precisa ser aprendido, e as situações desconfortáveis, muitas vezes consideradas constrangedoras, precisam ser naturalizadas e humanizadas. Sob o olhar de uma paciente Como mencionei logo no início do meu artigo, minha filha foi diagnosticada com a doença de Crohn ainda na adolescência. Separei um pequeno relato dela, que mostra a patologia sob o olhar e a pele de um paciente. “Minha pior crise foi aos 18 anos, uma época difícil na vida de qualquer adolescente. Era tempo de vestibular, de enfrentar o mundo e iniciar um caminho com as próprias pernas. Essa é uma fase desafiadora, em que todas as suas forças estão direcionadas para descobrir e galgar o mundo, se firmar como indivíduo independente, se desgarrando e diferenciando do meio familiar para encontrar o seu próprio caminho e identidade. É um tempo de vitalidade total, de descobrimento da sexualidade, do poder da vida. Por isso encontramos tantos adolescentes que acham que são “invencíveis”, pois sentem a potência da vida pulsando em

Ler mais »
Bem-Estar

Saúde mental: qual a relação com a alimentação?

Este mês é celebrado o “setembro amarelo”, movimento importante que desenvolve ações de conscientização ligadas à prevenção ao suicídio.Hoje, vivemos em meio a uma pandemia sem precedentes e muitas pessoas acabaram ficando longe dos familiares, em situações de pressão ou medo constantes. Tudo isso colocou a saúde mental em pauta e mostrou como é essencial discutir esse assunto! Além desse afastamento de quem amamos nesses últimos meses, há um crescente número de casos de ansiedade, depressão e outros transtornos mentais oriundos de uma série de fatores. A vida corrida nas cidades, o estresse constante da rotina, pré-disposições genéticas, acontecimentos traumáticos, má alimentação e consequentemente alterações hormonais são algumas das possíveis causas. Mas cada pessoa é única, com os seus anseios e biografia, determinando uma forma muito particular de interpretar o mundo e os estímulos que recebe dele. Vamos falar um pouco mais sobre saúde mental e a sua ligação com a alimentação? Como o que comemos afeta nossa saúde física e mental? A alimentação é uma das fontes mais importantes de nutrição do nosso corpo aqui na terra. Ela nos dá forças para ir em busca de nossos objetivos (planejar e agir). Afinal, quem nunca se sentiu enfraquecido depois de um dia corrido, sem ter desfrutado uma refeição saudável e percebeu que não conseguia pensar direito ou realizar determinada ação? Isso mostra que os alimentos estão conectados com nossos órgãos vitais, mas também com nossa personalidade, influenciando o que pensamos e sentimos. E é por isso que, quando nos vemos em uma situação delicada ou em um dia difícil, nos perguntamos: “que tal comer um docinho? Acho que vai ajudar a me sentir melhor! Afinal, eu mereço uma recompensa, não é?” E é aí que nos enganamos. Transferir para a comida a nossa dificuldade em lidar com as emoções e situações de estresse, como frustração e ansiedade, é apenas uma solução temporária, como “tapar o sol com uma peneira”. Assim como fazer da comida moeda de troca quando nos propomos uma “recompensa” ou “prêmio”. Comida é para alimentar o corpo, e não para satisfazer ou compensar nossas faltas ou desejos. Como nosso cérebro reage a tudo isso? Não é por acaso que procuramos com frequência doces ou alimentos industrializados, com sabores realçados e extremamente palatáveis em momentos de estresse e extrema exaustão. Eles são ricos em gorduras, sódio, corantes, conservantes e principalmente em carboidratos simples, que se conectam diretamente aos receptores opioides do nosso cérebro, causando um efeito semelhante ao das drogas! São o que chamamos “Alimentos Excitatórios”, que excitam o sistema nervoso de forma rápida, intensa e efêmera, fazendo com que o corpo sinta falta dessas substâncias e as queira cada vez mais. São alimentos literalmente VICIANTES. Quando esse ato de descontar na comida se torna um ciclo vicioso, como um refúgio, pode ser hora de buscar ajuda para recuperar o bem-estar, em busca de uma melhoria para a saúde mental. Nesse caso, o ideal é o paciente ser acompanhado por uma equipe multidisciplinar além do nutricionista, como educador físico, terapeuta artístico, psicólogo ou psicoterapeuta, e em casos mais severos, um psiquiatra. Ressalto que é preciso avaliar sempre a individualidade de cada um, no contexto de vida e biografia, que podem trazer sinais, memórias e marcos importantes em situações de transtornos alimentares. O SUS, por exemplo, conta com o AMBULIM: um Programa de Tratamento de Transtornos Alimentares responsável por fazer o acompanhamento dessas pessoas de perto e oferecer um atendimento de qualidade. Leia também: Nutrição e a consciência espiritual para uma vida saudável Mas o que faz bem para a saúde mental? Se a nossa alimentação é parte de quem somos, como podemos incluir alimentos que façam bem para a nossa saúde mental? Em primeiro lugar, sempre saliento a importância do desenvolvimento da consciência: precisamos saber O QUE comemos, POR QUE comemos e como cada coisa que colocamos no prato pode trazer benefícios ou malefícios para o corpo e a mente. Além disso, o que você come pode intensificar tendências que precisariam ser amenizadas e sutilizadas para encontrar equilíbrio, coerência e harmonia. Pensando nos alimentos que fazem bem para o cérebro, que contribuem para o raciocínio lógico, clareza de pensamentos e criatividade, posso citar: Cereais integrais Alimentos ricos em ômega 3 e 9, com boas gorduras, como azeite, abacate, peixes, sementes e oleaginosas Alimentos antioxidantes e anti-inflamatórios, a exemplo de frutas vermelhas, azuis e roxas, ricas em resveratrol. Em contraponto, a sugestão é evitar industrializados e os famosos fast food, além de alimentos ricos em glúten e caseína, que desgastam o organismo e destroem as conexões neurais gradativamente. Pode não parecer, mas em longo prazo isso significa, além de um malefício para a saúde mental, o desenvolvimento de doenças neurodegenerativas como demência, Parkinson e Alzheimer. Nutrição além da alimentação: o que traz saúde e bem-estar? Separei algumas práticas que podem melhorar a qualidade de vida e ativar algumas áreas do nosso cérebro que nutrem e trazem sentimentos bons de felicidade e bem-estar. Mantenha-se sempre hidratado O movimento é essencial: escolha uma atividade física que você goste. Existe uma infinidade de possiblidades para explorar Encontre um hobby em grupo ou de forma individual – pode ser dança, leitura, jardinagem, pintura, o importante é descobrir algo que realmente traga alegria e aquela sensação boa e agradável para amenizar os dias difíceis. Medite! Pode parecer algo simples, mas fazer pequenas pausas ao longo do dia, longe de celulares ou qualquer outra interferência, ajuda a ter distanciamento para perceber com mais clareza a dimensão correta das coisas, se conectar com a natureza e com o todo, além de ter um encontro consigo mesmo. Isso traz segurança! Fique atento à respiração: o movimento de inspirar e expirar (ir ao centro e à periferia) precisa acontecer de forma adequada. Isso é vida! Enfim, encontre um ritmo! A natureza nos ensina a ter ritmo: dia e noite, estações do ano, fases da lua, os ciclos da natureza e suas festividades. Na mesma medida precisamos encontrar o ritmo em nosso dia a dia: o despertar e

Ler mais »
Alimentação Saudável

Alimentação infantil: Renata S. Eisenmann fala sobre o impacto na construção do ser

A alimentação infantil é primordial para o desenvolvimento da criança e sua constituição ao longo de toda a vida. Isso principalmente quando entendemos que a nutrição é mais do que a comida que vai no prato, em verdade, a nutrição é tudo o que envolve e cerca o indivíduo, desde a forma como vivencia as experiências, o ambiente em que está inserido, até a elaboração seus anseios e relacionamentos. E eu não poderia começar esse assunto de outra maneira senão falando sobre os pais antes da gestação. A alimentação do homem precisa ser cuidada, contando com vitaminas que estão relacionadas com a produção de esperma, a exemplo do zinco. É ideal que tenha uma vida ritmada sempre que possível, com bons hábitos, evitando cigarros, bebidas alcoólicas e fast food, que comprometem a qualidade biológica e anímica da matéria primordial que originará esse novo ser. A mulher especialmente deve se preparar para um estado de graça. Ter a disponibilidade de receber e gerar um ser, não é tarefa fácil! Deve-se cuidar desde a ambientação em cor, sabor, cheiros, boas conversas, cultivar a paz interior, ainda que por vezes tenha que enfrentar uma rotina pesada. A mulher não deve ter uma alimentação que “valha por dois”, mas sim equilibrada. Rica em nutrientes variados, com uma boa hidratação, alimentos frescos e sustâncias adequadas para garantir o desenvolvimento do feto e suportar as mudanças diárias que o corpo e o espírito serão submetidos nesse processo. Além dos hábitos do casal, todos os familiares e amigos que de alguma forma participam da gravidez são corresponsáveis em manter um ambiente saudável, contribuindo com a segurança e a estrutura desse novo ser que está chegando. Tudo o que é feito antes e durante a formação do pequeno, o afeta diretamente e indiretamente. Durante a gestação   Tendências genéticas e pré-disposições a determinadas patologias, podem ser definidas no período de antes e durante a gestação, o que chamamos de imprinting metabólico. Algumas dessas patologias são diabetes, intolerâncias, doenças renais e obesidade.  Além da alimentação, o ambiente salutar é bem-vindo, pois situações traumáticas e estressante durante a gestação podem determinar, mais tarde, prejuízos no desenvolvimento da criança. Leite materno é o cerne da alimentação infantil A partir do segundo trimestre de gestação, a mulher já percebe mudanças na mama, é a preparação para a produção de leite. A disponibilidade do leite materno surge assim que o bebê nasce, nos primeiros dias é uma secreção de caráter imunológico, o colostro, um pool de imunoglobulinas e vitamina A (um batalhão de defesas)!  Nesse momento, é tudo o que o bebê precisa, por isso o aleitamento materno na alimentação infantil é tão importante, assim como o alimento que a mãe ingere. O leite materno é perfeito, feito sob medida, sem precisar de mais nada. Cria as defesas necessárias, protegendo-a no futuro contra alergias, infecções, doenças autoimunes e crônicas. Por isso, o ideal é que o aleitamento materno seja exclusivo por 6 meses, sempre que possível.  Além disso, o ato de amamentar aproxima o pequeno, criando um laço, um vínculo fortalecido e seguro com a mãe, físico e emocional. No entanto, algumas mulheres produzem leite por pouco tempo ou nem chegam a produzir, isso pode acontecer em situações de estresse, histórico de distúrbios hormonais ou depressão pós-parto. Nesses casos, é necessário recorrer à alimentação infantil artificial e é possível fazer adaptações com fórmulas. Vale lembrar que nessa situação, a introdução alimentar é antecipada, exigindo maior atenção na qualidade dos alimentos oferecidos ao bebê. Introdução alimentar sólida Em um desmame regular, que acontece por volta dos 6 meses de vida da criança, a introdução alimentar inicia seu processo. Nesse momento, é importante entender o ritmo da criança e aos poucos incluir frutas, legumes e cereais no cardápio diário, ainda sendo o leite materno o principal alimento. Entre uma mamada e outra comece pelas frutas, pois seu sabor adocicado se assemelha ao leite materno, assim são mais fáceis de serem aceitas. Ofereça um pedaço grande entre uma mamada e outra para que a criança desenvolva um bom relacionamento com a comida. Trabalha o tato, o paladar, olfato e o movimento da boca que precede a mastigação. A cada semana, a criança pode experimentar algo diferente, e caso realmente não goste do alimento, vale deixar a opção de lado e tentar mais tarde, as vezes o sistema digestório da criança ainda não está preparado para receber aquele alimento. Anote, faça uma listinha dos itens que não a agradaram para introduzi-los depois. Lembre-se, dentro da sazonalidade você também encontrará alimentos próprios para cada fase. Na alimentação infantil de forma geral, os líquidos, sobretudo a água, são essenciais e complementam as preparações de alimentos pastosos e sólidos como o purê, papinhas e cereais em forma de mingau. É preciso cuidar da qualidade desses alimentos. Para que então possa evoluir na quantidade, adquirindo um ritmo bom até o pequeno adquirir uma segurança e maturidade com o que está ingerindo. O segredo está em entender que esse processo é uma transição, que demanda paciência, carinho, adaptações, erros e acertos. Leia também: Checklist básico para uma alimentação saudável Por que ofertar cereais na alimentação infantil? Os cereais integrais, por exemplo, são ricos em componentes primordiais, como as vitaminas B1 e B6. Que ajudam no desenvolvimento do cerebrosídio (lipídeos encontrados nas membranas das células neurais). Já os legumes e frutas são carregadas de vitaminas e minerais essenciais para um crescimento saudável.   A alimentação infantil fundamenta a constituição da criança, ossos, órgãos, cérebro e suas conexões. A criança gasta energia pelo constante crescimento, a todo tempo suas células estão em processo de construção e regeneração, sendo necessário oferecer matéria prima de alta qualidade. A deficiência desses nutrientes na infância como a vitamina A, C e todo complexo B, pode comprometer seu desenvolvimento regular. Deficiências de vitaminas e minerais que fazem parte dos processos de construção e regeneração podem promover mais tarde o desenvolvimento de doenças inflamatórias, alergias, anemias, assim como debilidades no desenvolvimento dos sentidos.  O que evitar em um cardápio infantil? 

Ler mais »
Alimentação Saudável

Alimentos inflamatórios: tudo o que você precisa saber

Os alimentos inflamatórios são aqueles que podem desencadear inflamação no organismo como as Doenças Inflamatórias Intestinais (Síndrome do Intestino Irritável, Doença de Crohn e Retocolite Ulcerativa), processos de artrite e artrose, fibromialgia, obesidade entre outras. Mas antes de sair desesperadamente eliminando alimentos da sua vida, vamos conhecer um pouco mais sobre eles e o PORQUÊ devemos tomar cuidado com certos alimentos. Vamos a eles! O que é inflamação? Antes de mais nada, é importante compreender o que é inflamação, para depois entender o que é um alimento inflamatório. A inflamação é uma reação que acontece naturalmente no organismo, essencial para o processo de regeneração e reparação das células frente a qualquer tipo de agressão. É possível compreendê-lo como parte do nosso mecanismo de defesa. Os processos inflamatórios, tanto naturais quanto os provocados por agentes agressores, estimulam processos de reparação, que podem ser regeneradores restabelecendo a saúde e a função do tecido lesionado, ou cicatriciais restabelecendo a saúde, porém o tecido lesionado perde a função primordial, tornam-se uma cicatriz. De qualquer forma, precisamos ajudar nosso organismo a tratar essa inflamação, pois se esse processo sozinho não for o suficiente para restabelecer a saúde, pode se tornar crônico, resultando em doenças crônicas inflamatórias. Nesse contexto, os alimentos podem ser agentes sanadores, reparadores ou agressores. Alimentos inflamatórios agem oxidando, gastando e desviando a energia do corpo que deveria ser usada para processos metabólicos regulares. Eles produzem “lixo” metabólico, toxinas, que vão oxidando e desvitalizando o organismo. Portanto, os alimentos inflamatórios são agentes agressores que provocam uma reação inflamatória exacerbada, prejudicando o organismo de forma sistêmica. Quais são esses alimentos? Na sua maioria, são os alimentos industrializados, processados e ultraprocessados, que para serem conservados, passam por mudanças drásticas de temperatura, alterando a sua estrutura molecular, sofrem adição de gorduras saturadas e hidrogenadas, sal, açúcares e xenobióticos (substâncias químicas não orgânicas), tornando a digestão e a metabolização mais difícil, desgastante e penosa para o organismo. Aliás, os xenobióticos são substâncias cancerígenas em sua maioria, que prejudicam principalmente o fígado, órgão vital responsável por todo o metabolismo e processos de desintoxicação. Cansaço, falta de ânimo, sobrepeso, dor de cabeça, enjoo, falta de apetite pela manhã, são alguns dos sintomas de um fígado desvitalizado e “cansado”, o que promove acúmulo de gorduras em lugares inadequados, como artérias e no próprio fígado. Outros alimentos inflamatórios, são as gorduras saturadas oriundas dos processos de hidrogenação, os açúcares e grãos que sofreram processos de refinamento, como as farinhas. Atenção ao tipo de cocção Você sabia que alimentos bons podem se tornar inflamatórios dependendo do tipo de cocção que sofrem? Por exemplo, processos que usam altas temperaturas para preparar o alimento como frituras de imersão, air fryer, microondas, churrasco à carvão, podem tornar um alimento bom em inflamatório. Portanto, nada de comer aquele grelhado de frango com salada todo dia! Nosso corpo precisa de VARIEDADE, inclusive nas formas de preparação e cocção dos alimentos! Lembre-se sempre disso! E convenhamos, nosso paladar também agradece 😉 A sistematização de alimentos – o trigo é inflamatório? Quando um alimento está presente em quase todas as refeições ou todos os dias, nós estamos sistematizando o seu consumo. Partindo do pressuposto que precisamos de variabilidade de alimentos, pois nos fornecem diferentes propriedades, vitaminas, fibras e minerais, a sistematização do consumo leva a um processo de empobrecimento da alimentação, desnutrição, inflamação e desvitalização. O trigo tornou-se uma das bases da alimentação ocidental, assim como o leite de vaca. A farinha de trigo como a conhecemos hoje é derivada de um grão geneticamente modificado, com adição de um pool de melhoradores químicos, além da adição de mais glúten, o que a torna um produto alimentício altamente inflamatório que se faz presente sistematicamente na alimentação da população, impactando nas políticas de saúde pública. Já o leite de vaca in natura ou na sua forma fermentada, pode ser um bom alimento para quem o tolera, no entanto, a sua qualidade é o que determina ser um alimento inflamatório ou não. O que faz com que o leite se torne inflamatório? O processo de industrialização, o tipo de ração que a vaca come, os tratamentos medicamentosos e hormonais que a vaca recebe, e o tipo de conservação desse leite. Prefira leite fresco e orgânico sempre que possível. Outra excelente opção são os “leites” vegetais, já bastante comuns nos mercados, como o de caju, aveia e amêndoas, que inclusive podem ser feitos facilmente em casa. Uma sugestão: o leite de inhame é delicioso, super fácil de preparar e de propriedades imunomoduladoras. A receita é simples, selecione inhames de boa qualidade, de preferência orgânicos, descasque, corte em quadradinhos e coloque em uma panela com água. Deixe no fogo até ferver e ficarem macios. Desligue o fogo, jogue a água fora e leve ao liquidificador com nova água filtrada. Depois é só bater e servir! Repare, não há necessidade de coar. Existem alimentos anti-inflamatórios? Assim como há alimentos que inflamam o organismo, existem alimentos cujas propriedades são anti-inflamatórias. Vamos conhecê-los! Cereais integrais como a aveia, rica em betaglucana e silício. Açafrão da terra ou açafrão verdadeiro, que contém curcumina, substância anti-inflamatória Gorduras boas, ricas em antioxidantes e super-poderosas: Azeite de oliva é fonte de ômega 9, assim como o abacate, óleo de gergelim, sementes de abóbora e girassol, e peixes ricos em ômega 3 e vitamina D como sardinha e arenque.  A linhaça também é rica em fibras e ômega 3, anti-inflamatório natural. Lembre-se, a linhaça precisa ser “quebrada” ou triturada no momento do consumo para aproveitar suas propriedades anti-inflamatórias. Frutas especiais Frutas cítricas como limão, lima da pérsia e laranja, aumentam a biodisponibilidade do ferro na alimentação e são ricas em vitamina C. Frutas vermelhas, azuis e roxas, como morangos, uvas e todas as berries, são poderosas antioxidantes. Mamão e abacaxi, boas frutas para compor refeições com proteínas, pois são ricas em enzimas proteolíticas que ajudam na sua digestão. Melão, melancia e pepino, são alimentos alcalinos que ajudam na desintoxicação do organismo e a equilibrar o pH do sangue. Vale lembrar que

Ler mais »