
Alimentação infantil: Renata S. Eisenmann fala sobre o impacto na construção do ser
A alimentação infantil é primordial para o desenvolvimento da criança e sua constituição ao longo de toda a vida. Isso principalmente quando entendemos que a nutrição é mais do que a comida que vai no prato, em verdade, a nutrição é tudo o que envolve e cerca o indivíduo, desde a forma como vivencia as experiências, o ambiente em que está inserido, até a elaboração seus anseios e relacionamentos. E eu não poderia começar esse assunto de outra maneira senão falando sobre os pais antes da gestação. A alimentação do homem precisa ser cuidada, contando com vitaminas que estão relacionadas com a produção de esperma, a exemplo do zinco. É ideal que tenha uma vida ritmada sempre que possível, com bons hábitos, evitando cigarros, bebidas alcoólicas e fast food, que comprometem a qualidade biológica e anímica da matéria primordial que originará esse novo ser. A mulher especialmente deve se preparar para um estado de graça. Ter a disponibilidade de receber e gerar um ser, não é tarefa fácil! Deve-se cuidar desde a ambientação em cor, sabor, cheiros, boas conversas, cultivar a paz interior, ainda que por vezes tenha que enfrentar uma rotina pesada. A mulher não deve ter uma alimentação que “valha por dois”, mas sim equilibrada. Rica em nutrientes variados, com uma boa hidratação, alimentos frescos e sustâncias adequadas para garantir o desenvolvimento do feto e suportar as mudanças diárias que o corpo e o espírito serão submetidos nesse processo. Além dos hábitos do casal, todos os familiares e amigos que de alguma forma participam da gravidez são corresponsáveis em manter um ambiente saudável, contribuindo com a segurança e a estrutura desse novo ser que está chegando. Tudo o que é feito antes e durante a formação do pequeno, o afeta diretamente e indiretamente. Durante a gestação Tendências genéticas e pré-disposições a determinadas patologias, podem ser definidas no período de antes e durante a gestação, o que chamamos de imprinting metabólico. Algumas dessas patologias são diabetes, intolerâncias, doenças renais e obesidade. Além da alimentação, o ambiente salutar é bem-vindo, pois situações traumáticas e estressante durante a gestação podem determinar, mais tarde, prejuízos no desenvolvimento da criança. Leite materno é o cerne da alimentação infantil A partir do segundo trimestre de gestação, a mulher já percebe mudanças na mama, é a preparação para a produção de leite. A disponibilidade do leite materno surge assim que o bebê nasce, nos primeiros dias é uma secreção de caráter imunológico, o colostro, um pool de imunoglobulinas e vitamina A (um batalhão de defesas)! Nesse momento, é tudo o que o bebê precisa, por isso o aleitamento materno na alimentação infantil é tão importante, assim como o alimento que a mãe ingere. O leite materno é perfeito, feito sob medida, sem precisar de mais nada. Cria as defesas necessárias, protegendo-a no futuro contra alergias, infecções, doenças autoimunes e crônicas. Por isso, o ideal é que o aleitamento materno seja exclusivo por 6 meses, sempre que possível. Além disso, o ato de amamentar aproxima o pequeno, criando um laço, um vínculo fortalecido e seguro com a mãe, físico e emocional. No entanto, algumas mulheres produzem leite por pouco tempo ou nem chegam a produzir, isso pode acontecer em situações de estresse, histórico de distúrbios hormonais ou depressão pós-parto. Nesses casos, é necessário recorrer à alimentação infantil artificial e é possível fazer adaptações com fórmulas. Vale lembrar que nessa situação, a introdução alimentar é antecipada, exigindo maior atenção na qualidade dos alimentos oferecidos ao bebê. Introdução alimentar sólida Em um desmame regular, que acontece por volta dos 6 meses de vida da criança, a introdução alimentar inicia seu processo. Nesse momento, é importante entender o ritmo da criança e aos poucos incluir frutas, legumes e cereais no cardápio diário, ainda sendo o leite materno o principal alimento. Entre uma mamada e outra comece pelas frutas, pois seu sabor adocicado se assemelha ao leite materno, assim são mais fáceis de serem aceitas. Ofereça um pedaço grande entre uma mamada e outra para que a criança desenvolva um bom relacionamento com a comida. Trabalha o tato, o paladar, olfato e o movimento da boca que precede a mastigação. A cada semana, a criança pode experimentar algo diferente, e caso realmente não goste do alimento, vale deixar a opção de lado e tentar mais tarde, as vezes o sistema digestório da criança ainda não está preparado para receber aquele alimento. Anote, faça uma listinha dos itens que não a agradaram para introduzi-los depois. Lembre-se, dentro da sazonalidade você também encontrará alimentos próprios para cada fase. Na alimentação infantil de forma geral, os líquidos, sobretudo a água, são essenciais e complementam as preparações de alimentos pastosos e sólidos como o purê, papinhas e cereais em forma de mingau. É preciso cuidar da qualidade desses alimentos. Para que então possa evoluir na quantidade, adquirindo um ritmo bom até o pequeno adquirir uma segurança e maturidade com o que está ingerindo. O segredo está em entender que esse processo é uma transição, que demanda paciência, carinho, adaptações, erros e acertos. Leia também: Checklist básico para uma alimentação saudável Por que ofertar cereais na alimentação infantil? Os cereais integrais, por exemplo, são ricos em componentes primordiais, como as vitaminas B1 e B6. Que ajudam no desenvolvimento do cerebrosídio (lipídeos encontrados nas membranas das células neurais). Já os legumes e frutas são carregadas de vitaminas e minerais essenciais para um crescimento saudável. A alimentação infantil fundamenta a constituição da criança, ossos, órgãos, cérebro e suas conexões. A criança gasta energia pelo constante crescimento, a todo tempo suas células estão em processo de construção e regeneração, sendo necessário oferecer matéria prima de alta qualidade. A deficiência desses nutrientes na infância como a vitamina A, C e todo complexo B, pode comprometer seu desenvolvimento regular. Deficiências de vitaminas e minerais que fazem parte dos processos de construção e regeneração podem promover mais tarde o desenvolvimento de doenças inflamatórias, alergias, anemias, assim como debilidades no desenvolvimento dos sentidos. O que evitar em um cardápio infantil?
